sexta-feira, 16 de julho de 2010

Educar a criança é acelerar o combate à pobreza

Uma das perguntas que se fazem como pobres que somos, entanto que povo, é como é que os países que eram tão pobres como nós, conseguiram muitas vezes em tão pouco tempo, como os 35 anos da nossa independência, erradicar a pobreza e entrar na senda da prosperidade, como é o caso da China que, em apenas três décadas, atravessou a fronteira do subdesenvolvimento, e está agora num altíssimo vôo econômico rumo à prosperidade.

Se fosse tentar dar resposta a esta pergunta nos recuados tempos dos famosos economistas Adam Smith e David Ricardo, diria que a China erradicou a pobreza, valendo-se do trabalho árduo que o seu povo leva a cabo de dia e de noite, mas no mundo da revolução do conhecimento em que vivemos, o trabalho é apenas um lado da moeda, e só produz milagres econômicos quando combinado com a educação massiva das crianças ou camadas mais jovens, para que se armem do saber que os permita ter soluções mesmo onde o comum de nós achamos impossível.

É só ver como os chineses estão a erguer o nosso Aeroporto Internacional de Maputo, incluindo o Parque que antes parecia uma jaula para animais perigosos. Assim dito, a resposta mais completa para que possamos sair rapidamente da pobreza é que devemos massificar a educação das nossas crianças que hoje celebram o seu dia mundial, ao mesmo tempo em que temos de incutir nelas a cultura do trabalho árduo que, como diziam aqueles dois economistas, continua hoje sendo de fato o meio para se acumular honestamente todas as riquezas. Mas o que prova que o trabalho sem a massificação duma educação sólida provoca uma paralisia ou mesmo estagnação econômica onde já havia prosperidade.

É o que está a acontecer paulatinamente com os EUA e, dum modo geral, com quase todos os países ocidentais, cujas economias hoje estão paralíticas, porque de há uns decênios para cá, não investiram em massa na educação das suas crianças e jovens. Vários especialistas em questões educacionais, como a norte-americana Susan Traiman diz, categoricamente, que o que causa agora a estagnação do desenvolvimento dos EUA e do resto do Ocidente é, de fato, terem negligenciado a educação das suas camadas mais jovens, e que este problema agravou-se quando já nem podia recorrer à importação dos cérebros doutros países.

Diz que o que travou o roubo ou dreno de cérebros que vinham até aqui sendo a tábua de salvação das economias ocidentais, é que as suas multinacionais passaram a optar por transferir as suas fábricas e centros de investigação para os países onde podiam encontrar pessoas talentosas e a um custo mais baixo, como é o caso desta mesma China, onde com um valor com que se paga um salário de um americano, se paga quatro de engenheiros chineses.

Susan explica que a falta de quadros em número suficiente nos EUA e noutros países ocidentais, levaram as multinacionais a tomarem essa opção de instalar as suas fábricas onde há gente qualificada ao invés de importá-los. Ela vinca que a indústria de alta tecnologia dos EUA sofre duma penúria crônica de engenheiros, matemáticos, físicos e biólogos, e vê-se obrigada a importar talentos do estrangeiro. Mas, atualmente, os donos das nossas multinacionais têm essa outra opção, que é transferir as suas fábricas de produção e investigação para países como a China. Dados contidos num outro grande livro, o “Global Trape” ou “Armadilha Global”, mostra que grande parte das atividades das fábricas multinacionais, estão em países estrangeiros e não mais nos de origem dos seus proprietários.

Como Educar nos dias de hoje?


Educar é um assunto corrente em consultório de psicologia. A necessidade de colocar limites é sempre muito questionada, tanto pelos filhos como entre os novos e dedicados pais. Muitas pessoas viveram em sua própria educação a experiência de duros limites, constituídos em regras e proibições. Autoridade era misturada com Autoritarismo, a sabedoria da maturidade era confundida com verdade absoluta. Exigia-se da criança, do adolescente e mesmo dos adultos, total submissão e resignação; ser uma criança boazinha era sinônimo de atender as regras, jamais ser espontânea e nunca criar ou questionar algo; a liberdade em expressar suas idéias e pontos de vista confundia-se com enfrentamento e desrespeito aos "mais velhos".

É claro que esse modelo de educação trouxe muitos problemas e resultou em muitos adultos inseguros e até mesmo revoltados. Neste quadro surge uma postura defendida pelos psicólogos e estudantes do comportamento humano que talvez não tenha sido suficientemente entendida. A proposta era possibilitar a livre expressão dos potenciais e da espontaneidade infantil, como até hoje defendemos. Respeitar a criança em seus desejos e necessidades esperadas para a idade, por exemplo, a curiosidade perante o novo, a inesgotável energia de vida, sua necessidade de brindar para entender o mundo e etc...
Mas para alguns pais essa proposta foi confundida com a total permissividade, a educação do "tudo pode", perdendo o entendimento da
palavra não, do limite e do respeito.

Nascemos totalmente espontâneos e criativos e com o decorrer do desenvolvimento através da educação aprendemos como usar nossos potenciais adequadamente, ou seja, respeitando as regras para viver socialmente. É também neste processo que aprendemos a acreditar ou não nesses potenciais. Nossas atitudes e comportamentos são o tempo todo avaliados e confirmados ou não, pelas pessoas com quem nos relacionamos e principalmente pelos nossos pais. É desta aprovação que surge a sensação de segurança interna que todos possuímos em maior ou menor quantidade, e também nossa auto-estima. É claro que para os pais não é uma tarefa fácil, pois implica em ter uma noção clara do que é ser adequado, o que depende de sua maturidade emocional.

Há 40 anos atrás questionar uma ordem paterna, por mais absurda que ela fosse era praticamente um crime, castigável sem sombra de dúvida, com diversas formas de agressão tanto físicas como emocionais. Hoje em dia o questionamento já começa a ser entendido como algo positivo, pois ao trazer questionamentos novos a questões antigas aumentam-se as possibilidades de criar e descobrem-se novas formas de existir. O conhecimento deixa de ser percebido como uma "conserva cultural" e passa a ser percebido como algo dinâmico e em constante transformação e renovação.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Educar e amar, verbos de primeira conjugação



Os verbos educar e amar têm muito em comum. No livro de gramática, porque ambos têm a terminação ar, são denominados verbos de primeira conjugação. Na nossa sociedade, são ações de primeira necessidade, portanto: primeira conjugação. E são complementares: impossível educar sem amar, impossível amar sem educar, ou, sem ensinar, mesmo que seja apenas (apenas?) ensinar a amar.
E são regulares: na gramática porque seguem o paradigma da primeira conjugação, na sociedade porque são ações que devem ser praticadas regurlamente, todos os dias e toda a vida. Quando amamamos educamos, aprendemos, crescemos... Quando educamos de verdade, amamamos e nos amamamos. Quem não ama não educa e não é educados (nos dois sentidos). Quem não educa não ama, não se ama, não cresce, não aprende...
Os sujeitos desses verbos somos todos nós, nós adultos, nós professores, nós pais, nós cidadãos, nós seres humanos, nós homens, nós mulheres e nós crianças - sim, nós crianças! - porque crianças educam outras crianças e a criança que existe dentro de cada um de nós é uma grande educadora.
Esses dois também são reflexivos: Quem ama e educa se ama e se educa, é amado e aprende, porque quem é amado ama e quem educa aprende. E quanto mais ama mais é amado, quanto mais educa mais é educado.
A escola é portanto - tem que ser - um tempo de amor. Cada casa, cada lar, cada família deve também ser um tempo de amor e cabe a cada pessoa fazer de si um educador e um educando porque essa é a única forma de cada pessoa fazer de si mesma um mundo melhor. E torcer para que seja contagioso.

Educar é como amar


Educar é como amar.
É preciso se dedicar,
ter paciência de esperar
o resultado chegar.

Mesmo vindo devagar,
é preciso perceber
que quem ensina também aprende
com quem busca o saber.

Trabalho árduo,
complexo e desafiador,
mas, se feito com carinho,
com dedicação e amor,

o resultado é positivo e o futuro é promissor.
É nosso dever, é nossa obrigação
preparar as crianças, futuro da nação,
a ter esse direito chamado Educação.

           Elisângela Gomes dos Santos Ferreira